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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

LAURA DE LUCA

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025

CORRENTEZAS



Que dia é esse onde tudo reluz ? 
Que serena a noite e a correnteza ? 
A calmaria que agora conduz 
abandonou qualquer incerteza.

 Ao turbilhão não quero voltar... 
A cabeceira ficou para trás . 
Só espero, neste rio fugaz, 
seguir meu curso até ser mar. 

Turvação tingida pelas mágoas 
deu lugar a paz de claras águas. 
Nenhuma tristeza a encalhar. 
Paixão alguma a naufragar... 

Laura De Luca 




 Laura Carmela De Luca França- Escritora brasileira do Rio de Janeiro. Autora de livros de poemas, livros infantis e peças teatrais . Médica otorrinolaringologista

LETICIA BRAVO

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025

EU RIO

Beleza naturalmente escultural
Florestas, cachoeiras e matas
aglomeradas à praiana prediada
com sua paisagem original

Dias quentes, sempre lotada de gente
Chegadas e partidas intermitentes
Seu som poliglota com gringos presentes
Sotaque e gírias típicos do ambiente

Músculos desenhados nas academias
A garota do Leblon em seu biquíni sorria
no apreço do nosso Cristo Redentor
que, gigante, não coube na fotografia

Daqui não sou, por muitos lugares andei
És o meu preferido nesse mundo inteiro
De admirar-te, jamais me cansei
Quero no mar morar, namorar-te
para sempre, meu Rio de Janeiro!


Leticia Bravo



Leticia Caldeira Pecene adota o nome de família – Bravo – como nome artístico, em homenagem póstuma à sua avó materna, Maria Aparecida Bravo Xavier, que foi Historiadora, Poeta, Trovadora, Cronista, Radialista e Carnavalesca renomada na região Sul Fluminense.A autora Leticia Bravo, nascida no município de Três Rios/RJ,cursou Direito na Universidade Católica de Petrópolis.Especialista em
Direito Público pela Universidade Newton Paiva, servidora pública do Poder Judiciário há cerca de 20 (vinte) anos. Leticia Bravo divulga seus textos seus textos nas redes sociais , os mesmos  tratam, mormente, das relações interpessoais e de experiências emocionais vivenciadas por muitos de nós, senão por todos. 
Os contatos da autora são: Instagram - @febredoquesinto 
e-mail – febredoquesinto@gmail.com .

LÚCIA MATTOS

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025


Lucia Mattos - graduação em Letras: Língua portuguesa e Literatura Brasileira. Pós-graduada, em Língua Portuguesa. Especialização em Africanidades UnB. Acadêmica e Presidente da ACLAPTCTC Seção-Rio. Diretora Cultural da APPERJ. Livros publicados e detentora de vários prêmios. Melhor Antologia de 2022. Alma em Palavras. Troféu Clarice Lispector! Recebido em 2023, no hotel Copacabana Palace. No ano de 2024. Lançamento do livro “Vovó Marinha Uma Amor de Menina e Outras Histórias". 3a edição, na versão inglesa.

LUIZ OTÁVIO OLIANI

 
MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

ESBOÇO SOCIAL

“Os fantasmas têm que existir”
Adalberto Marques

fantasmas
habitam pessoas
cegas surdas mancas
não ouvem a fome alheia
não tateiam a dor dos miseráveis
não enxergam o coração dos desvalidos
a sociedade se compadece
de ter e não de ser
defeca arrogância
ri de si mesma
se julga superior
esquece que
os espelhos
ainda existem


LUIZ OTÁVIO OLIANI
é professor e escritor. Atual Diretor de Comunicação Social da APPERJ. Com intensa produção intelectual, publicou 25 livros, incluindo poesia, conto, crônica, teatro, literatura infantil, crítica literária e ensaios. Recebeu mais de 100 prêmios literários. Possui textos traduzidos para inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, holandês, romeno e chinês. Em 2025, publicou "Eu me sinto um criminoso e outras crônicas", pela Ventura Editora.

MARCELO GIRARD

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ, 2025

MANEL BERRA-BOI – 

Muita boa noite!
Meu nome é berra-boi.
Sofrido de açoite
Vou contar como é que foi
Que cheguei no Rio de Janeiro
Quase trinta de fevereiro.
Quando aportei
Fui logo parar na tal favela
Num é que reparei que tinha mais paraíba
Que bandido nela…
Como bom sertanejo
Sem dinheiro e muito gracejo
Aluguei um barraco
Fazido de taubua de buraco.
Com as miudezas da economia
Comprei um pacote de bananada
Pra ganhar um faz me ria.
E pertinho da noite, escuriando o tempo,
Conheci um rabo de saia
Que me deu um alento!
Ô mulher arretada sô!
Arrebentou minha fimose.
Me deu um arreio de dor
Mas que preta, que lordose!

Morena flor, assim queu chamava ela.
E ela verbalava
— Te amo minha anta!
Arruma a casa, lava as panelas, faz a janta.
oxi ! Essa mulher é uma santa!
Fui indo e avivendo.
Pois, pois, montei uma barraquinha de doce.
Um dia, um frangote, um fedelho
Como se fosse dono do pedaço
Mandou eu vender um troço
Pra deixar o olho vermelho.

Na primeira vez que fiz a venda gritei:
— Ó meu Padim Ciço, que é que eu fiz?
O homem pegou a farinha e botou no nariz.
O moço saiu gritando todo feliz.
Eu disse: Arre égua!
O homem virou baitola, soltou as prega!
Depois me dei conta
Que tudo que é carioca
Gosta da tapioca que deixa tonta
Ai, me assosseguei, sabe.
Comecei a vender muitcho.
Só parava carro bonito
E filho de rico.
E minha mulher sempre dizendo:
— Homem... Riqueza nesse negócio
É quando o outro tá morrendo.
Tô ganhando, Tô vivendo.

Fui pro boteco tomar umas pinga
De susto chegou a puliça.
— Pronto! Vou perder meu ponto!
Pra que eu saí da minha terra
Pobre em qualquer lugar se ferra.
Punhei o resto no bolso
Pra garantir a semana
Fiquei feito caçamba sem poço.
— Jerimum tu tá em cana!
— Bebo não seu moço.
— Palhaçada Paraíba!
Perdeu, passa a grana!
— Aí que foi me entortei de vez
Saí correndo até a sombra se perder.
Meteram o pipoco, corri feito louco.
E roguei:
— Me livrai dessa. Nossa Senhora do Sufoco
Que serei teu da raiz até o coco.

Num repente, credo em cruz.
Desceu uma luz... Do céu
Uma voz dizendo:
— Não tá na tua hora Manuel.
— É isso mermo que eu tô vendo?!
— Sim, sou eu, volta pro teu corpo.
Tá cheio de ―inocente‖ aqui no beleléu.
Meti os cambitos e aqui tô eu.
Muito prazer, Manel Berra-boi.
Já tive no céu
Mas, não sei como foi.

AUTOR: Marcelo Girard
Jornalista | Poeta | Radialista

KARLA JULIA

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

DIVINDADES






Karla Julia Dallale é formada em Direito UERJ, professora de Língua e Civilização Francesa e tradutora. Formada em Língua inglesa. Membro Titular do PEN Clube do Brasil, da União Brasileira dos Escritores, da Associação das Jornalistas e Escritoras do Brasil e da Associação Profissional de Poetas do Rio de Janeiro.Livros:
1- “Alma Nua”. Rio de Janeiro: Editora Personal, 2012, 2² edição
2 “RECANTOS – dos versos íntimos”. Rio de Janeiro: Editora Parthenon, 2019. – Prêmio: Troféu Stella Leonardos , melhor livro de poemas de 2019 da União Brasileira dos Escritores (UBE) e do POLEM
3 - “Via Crucis”. São Paulo. Editora Penalux. 2022-“ 4- No meu fim está o meu começo- Encontros com uma Rainha”. São Paulo: Editora Penalux- 20222 – Prêmio : Concurso Internacional da União brasileira dos Escritores (UBE)- Categoria Romance- Menção Honrosa. Foi laureada com o 1º lugar no Concurso de Ensaios do PEN Clube do Brasil : “ Liberdade de Expressão e o Livre Trânsito das Ideias do Escritor”.


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MARIA DO CARMO BOMFIM

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ

UMA VIDA SEM RIMA

Dedicado a todas as mulheres trabalhadoras que não

sucumbiram à violência.
Este sol me queima a alma e o verde,
onde não vejo mais beleza, só desolação.

Minha casa fica longe!
Meus filhos , onde estarão?
Que horas são? Que dia é hoje?
O tempo me escapa.
Um dia este gole seco
que tenho na garganta preso
e o aperto no coração

vão se transformar num grito verdadeiro,
que ecoará por todo este campo
onde trabalho e não vivo.
Quanta mágoa!

Por favor, me passe esta boia fria, fria.
Só quando volto para a minha família,
o caminho iluminado pelas estrelas no céu,
levanto o meu olhar cansado e sonho:
“um dia haverá esperança!”




Maria do Carmo Bomfim é professora, psicóloga e psicanalista. Dedicada também à
Literatura, tem contos, poemas e crônicas publicados em jornais, revistas, sites e
antologias no Brasil e exterior. Detentora de prêmios nacionais com destaque para a 22ª
Bienal Internacional do Livro/SP, UBE/RGSul , UBE/RJ, APPERJ(2 troféus Francisco
Igreja) FEUC,UERJ e, mais recentemente, Arte em Movimento. Filiada à UBE/RJ , faz
parte da Diretoria da APPERJ.

MARIA DO CARMO PROCACI

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025



A CIDADE DO RIO DE JANEIRO E DE TODOS OS MESES

Sob o manto escuro
Que a noite estende
A cidade em sono profundo se rende
Um ponto de luz surpreende
Sozinho e calado
Desafia o breu com seu pequeno brilho

Um quarto meio aceso
Contra o veludo da noite
Alguém a pensar, a escrever
Versos que o dia não ouviria
Enquanto a cidade adormece

Da janela discreta
A história deixa outras marcas
Aquele quarto acordado
Pode ser um barco quieto
Navegando em águas de insônia
Enquanto o Cristo Redentor
Lá no alto zela pela cidade

É a alma do Rio de Janeiro
E de todos os meses
Que não para de amar,amar,amar…


Maria do Carmo Rezende Procaci


Maria do Carmo Procaci é escritora, professora, pianista. Coautora em várias Antologias físicas e digitais. Participou da Feira Internacional do Livro no RJ, em 2023 e em São Paulo, em 2024. É graduada em Letras (UFJF) e Direito (Bennett). Ama artesanato. Suas bonecas de pano encantam a todos.

MARISA QUEIROZ

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025

RIO, SEU LINDO!

Caminhar pelas praias do Rio
É se esbarrar nos sete pecados capitais
Encho-me de preguiça nas areias de Ipanema,
a velha garota, música, musa e poema
Caminho com soberba do Leme ao Leblon
e me encho de orgulho em Copacabana.
É bacana! É bacana!...
Sinto gula pelo Pão de Açúcar
E adoraria come-lo inteiro na Mesa do Imperador
Tomando uma água de coco e fazendo Vista Chinesa
Morro de desejo e luxúria pelos Dois irmãos
Não sou lá uma puta Pedra Bonita,
mas só Deus sabe o que faria com eles lá na Praia do Diabo
Tenho avareza pelas conchinhas do mar
E queria esconder todas pra ninguém pegar
Invejo as curvas da Princesinha do Mar
Sempre elegante com seu colar de pérolas
Mas tomo-me iracunda na hora de lhe deixar
Oro quando aplaudo o por do sol na pedra do Arpoador
E sempre peço perdão por meus pecados ao Redentor
Ser carioca é ser feliz o ano inteiro
E é por isso que eu rio, de janeiro a janeiro
Rio e me encanto ao som da cuíca e do pandeiro
Sou aquarela e sou brasileiro
Sou carioca, natural do Rio de Janeiro.


MARISA QUEIROZ é Psicóloga, Psicanalista, Escritora e Poeta. Pernambucana, vive no Rio há mais de 40 anos. Tem dois livros publicados e publicação em várias Antologias. Membro da SoCiS, Apperj, Ube. Coordena o projeto, POESIACULT.
 

MATHIAS BILDHAUER

 VIII MOSTRA DE POESIA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ, 2025


RIO DESEJO

Faz caber em mim um desejo de imensidão,
Para ti eu escrevo,
Na tentativa de cravar no tempo
As palavras que você repercute dentro de mim.
Vim de um rio, sigo no rio,
Nado, mergulho, me afogo, boio…
Sempre volto ao contemplo de ti,
Minha casa entre tantos janeiros,
Sonho, desejo, realização,
Pois, entre nós há histórias além do pensamento,
Vidas vividas além do que a imaginação me oferta,
Eu só sinto,
Sou também rio que deságua dentro de ti.

Mathias Bildhauer, 31 anos, 
Flamengo, Rio de Janeiro



Mathias Bildhauer, 31 anos, vive no Rio de Janeiro e profissionalmente é ator, poeta, musicoterapeuta, produtor de experiências para a alma, autor dos livros de poesia "À Luz das Letras".


MOZART CARVALHO

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025

EXTREMOS

 





Carioca. Professor universitário. Mestre em Humanidades, Culturas e Artes. Especialista em
Língua Latina. Poeta, ensaísta, conferencista, ilustrador, editor-assistente da OFICINA Editores,
membro do seu Conselho Editorial. Membro da APPERJ e do PEN Clube do Brasil. Publicou 3
livros infantis, 3 livros de poemas, no prelo o ensaio: “Stefan Zweig: chegar sem direção”. Tem
poemas publicados e vertidos em inglês, grego, espanhol, francês. Participante ativo do circuito
de poesia contemporânea.

PAULO REIS

MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA 2025


SUPERAÇÃO 

Queria mesmo
era se apagar.
Desligar todas
as tomadas
que a conectavam
ao mundo.
Talvez morrer
por um instante
em busca
da energia vital.
Mas uma chuva
que a molhava
por dentro
despertou o sol
que adormecia
em seu ser
e um arco-íris
se fez em seus olhos.




PAULO REIS, 1964, poeta, formado em Letras, é natural de São José do Ribeirão,
Bom Jardim-RJ, e radicado em Nova Friburgo desde 1985. Publicou o livro de poemas
Grito Calado, pelo selo Ventura Editora, em 2024. Participa de diversas coletâneas,
além de divulgar seus versos em jornais, revistas, sites e redes sociais.
Redes sociais (Instagram, Facebook e YouTube): @pauloreisnf
www.recantodasletras.com.br/autores/pauloreis

PEDRO POETA

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025

POESIA NOSSA DE CADA DIA

Que não nos falte a poesia nossa de cada dia
A poesia cheia de verbos
Cheia de versos
A auto poesia que é a poesia de si mesma
Cheia de encanto
Cheia de simplicidade
Que reproduz a pura criatividade
A poesia que diante do mundo que nos assola
É poesia de protesto
Cheia de revolta
Diante do mundo de desigualdade
É poesia social pela dignidade
Nossa e dos irmãos à nossa volta.
Que não nos falte o calor da expressão
Em poesias cheias de tesão
Cheia de cheiros de sexo e de paixão
Cheia de prazer de ser
Por uma poesia de cada dia que nos conecte com o real
Sem quebrar a imaginação
Uma poesia de si mesmo
Uma poesia espelho
Que seja uma cura pro lamento
Pelo autoconhecimento através da arte
Uma poesia que seja espiritualidade
Encantamento
Conexão
Que seja transgressão do si mesmo
Olhando pros próprios medos
Nos dando a coragem de sentir a liberdade de mudar de direção
Uma poesia tão linda que seja o mar do sertão
Que por ser tão só
Seja nossa companhia
A poesia nossa de cada dia.
Que não falte a nossa mesa
A nossa cama


A nossa família
Que não falte às escolas
As ruas
As casas privadas e as coisas públicas
Por essa poesia nua
Sem interesse em acertar
Uma poesia perpendicular Arco-íris em branco e preto
Que não nos falte de nenhum jeito
Por essa luz que nos alumia
De baixo da Lua
Ao sol do meio-dia
Tão evidente como quem sente
O sal das águas do mar
Não nos falte o pão, a água, a alegria
Não nos falte o chão, o amor, a magia
Não nos falte a educação, a cultura, a rebeldia
Da nossa poesia
Da poesia nossa
A poesia nossa de cada dia.




Pedro Poeta, poeta, educador, pesquisador. Me joguei na vida de poeta em 2013
quando lancei em meio a inflamações políticas o meu primeiro livreto Águas da Revolução,
ainda muito embrionário. Em 2015 lancei o livreto-zine Ébano, em 2015 o Fumaça de
Carburador, e em 2018 o Diotima. Somente em 2025 retomei de forma independente o livro
Poesia Nossa de Cada Dia- Alimentos Poéticos Para Inspirar o Cotidiano.

RENATO MOURA

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA 2025

VELHAS LIÇÕES
Velhas lições
muitas vezes são apenas
lembranças esmaecidas,
impressões quase perdidas
de um tempo que bateu asas:
o que foi, foi
e já não é mais nada.


Palavras vêm, palavras vão
e muitas vezes não percebemos
certas minúcias, certas astúcias
que escondem o passado no presente
e o mesmo no diferente.


Quando vemos que tudo muda
e permanece como está,
que tudo se move
e fica no mesmo lugar,
velhas lições quase esquecidas
ensinam o que ainda não aprendemos
sobre a história do mundo,
sobre as mazelas dos homens,
sobre as ironias da vida.


Renato Moura, Copacabana, RJ
Doutor em Educação e Professor universitário aposentado da
UFRJ. Membro da APPERJ, escreve romances, contos e poemas. Tem 08 livros
publicados, além de poemas e contos em diversas antologias.

RENILSON DURÃES

 

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025





Renilson Durães- Professor, Palestrante, Poeta e Escritor
rduraes68@gmail.com

SONIA MARIA MAZZEI

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

VIAGEM

Sonia Maria Mazzei 
Bacharel em Português/Literaturas pela UFRJ, com pós-graduação em
Literatura Portuguesa pela UERJ. É poeta, contista e também autora de livros infantis.
Participou de várias antologias de contos e poesias e, em 2023, lançou Dez Contos de Reis, seu primeiro livro solo de contos.

OSMAR DO BREQUE

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA 2025

VIDA DE TRABALHADOR

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FOTO AMALRI NASCIMENTO
FOTO AMALRI NASCIMENTO



Osmar do Breque  cantor e compositor, nascido em Olinda - Município de Nova Iguaçu no ano de 1951 Tenho como padrinho musical o saudoso Moreira da Silva, que me ensinou como se canta um samba de breque. Como compositor, sou eclético. O gênero musical que me vem à cabeça eu faço.Nos anos 80 e 90 fiz muita abertura de shows pra famosos tais quais: Agepê, Elson do Forrogode, Roberto Ribeiro, Elymar Santos, e tantos outros. Cantei em várias casas de show no Rio de Janeiro. A última casa que cantei foi no extinto Cariocando no Catete. Meu último álbum chama-se Astro Iluminado. Radar Record. Está em todas as plataformas digitais. Esse sou eu. Osmar do Breque 40 anos de carreira.

TCHELLO D'BARROS

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

SUBLIME SEMBLANTE



“SUBLIME SEMBLANTE”
Videopoema - Tchello d’Barros

SINOPSE
“Sublime Semblante” apresenta um poema narrado que se mescla com olhares sugestivos, semblantes fotografados, miradas subjetivas em uma atmosfera onírica que nos remete ao mundo dos sonhos, aquele lugar onde tudo pode ser intenso, surreal e sublime.

EQUIPE
Para realizar "Sublime Semblante" foram somados os talentos da modelo amazônida Lua Miranda e seus autorretratos, a voz da atriz e dubladora Telma da Costa, música autoral de Delayne Brasil, edição de Jozefo Roza e a direção de Tchello d'Barros, que assina também o poema.

FICHA TÉCNICA
Gênero: Videoarte
Categoria: Livre
Cor: P&B
Duração: 01:50​ Min
Extensão:.MP4
Arquivo: 470 MB
Formato: 1920 X 1080
Ano: 2025
País: Brasil (Rio de Janeiro, RJ)
Realização: Fluxo Filmes
Autoria/direção: Tchello d’Barros



 
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VICTOR MEIRELLES

 VII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ- 2025


SENADOR CAMARÁ, EU VIM DE LÁ!


Se liga irmão, o que bate o coração
a bola voou, o sangue correu, a pipa rolou
a vida de alguns jamais voltou
sentado no colo da pedra
vejo o sorriso amanhã horizonte
que até ontem não se chegou
a estação que a mais de 67, anos
o trem, a grade, a história, passou
se formou, informou, deformou.

Camará Moleque, Jovem Senador
A dor de criança, a fome de esperança
A cria, o cria e a bonança
a visão, o contexto, missão
da raiz, do broto, do fruto
do favelado, que ninguém acreditou
mas na sevirologia ele se adiantou
deixou a arma, virou doutor
água correndo no mar
infiltrada no sistema dilema
é capa de jornal pelo trabalho que fundou
dá vida a histórias e memórias
daqueles que se perderam
por um país que os desacreditou

Mas se liga no som que sai do coração
da boca palco da palavra
do corpo a brisa suave de quem se realizou
favela pés descalços que no mundo pisou
que hoje tem orgulho de dizer
se sou o que sou, foi minha Mãe
a Zona Oeste RJ que me criou.
 
Victor Meirelles

Artista, ator com presença internacional, mestre pela UFRJ, Pós Graduado em Filosofia e Direitos Humanos, Licenciado em Letras, palestrante, arte educador, jornalista, arte ativista e ativista cultural. Autor da Obra Marcos e Marcos, idealizador da biografia Chica Xavier e protagonista do Filme Quando Lembro de Chico da Amazon Prime.



CELI LUZ-

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

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Telma Salesa

                VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025


              HUMANIDADE

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Pessoas que amam umas as outras
A humanidade existe no amor recíproco
e verdadeiro
Uma maneira falsa e mentirosa não é amor
Sentimento humano é algo esplendoroso e amigo
O amanhã será sempre um receptor certo de querer bem.
Isso é ser humano.
É difícil uma humanização sábia e gloriosa.
Felicidade honrosa na unidade
Se todos se amam divinamente
Assim se encaminha a humanidade.
Sair de casa rumo ao aeroporto que felicidade!
Diversão bastante para toda família.
Tomamos um cafezinho
Antes do embarque
Fomos visitar nosso sobrinho.
temos também o Frodo,
Um cachorrinho muito feliz!
Como nos festejos Natalinos e aniversários.
É gratificante!

Fé não é religiosidade
E sim na santidade
Bondade e sinceridade
Conheço pessoas assim
Humanidade na intensidade
Com Jesus na devoção
Momento de vida
Como em unidade


Telma Salesa Santana da Silva


Sou Telma Salesa Santana da Silva, Rio Grande do Norte, Natal. Tenho formação em Física e Engenharia civil com Mestrado em Meio ambiente .Professora Universitária. Engenheira Especialista no Brasil e Bolívia. Trabalhos sociais. Poeta APPERJ com uma coletânea de sete livros de poemas, Contos e lembranças de vida. Entitulada de Vida e Sociedade.


YASMIM FLORES

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

APRESENTAÇÃO DE DANÇA CIGANA DURANTE PARTICIPAÇÃO NA MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA - EDIÇÃO PRESENCIAL NO TEATRO CANDIDO MENDES

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Yasmin Flores é uma artista múltipla, assim como a floresta é composta por tantas árvores, também nós somos muitas. Nas suas múltiplas faces, cada arte expressa um aspecto seu. E é através da dança, do canto, da pintura, da escrita, da performance, que os (en)cantos artísticos vão sendo feitos no palco que mais do que um lugar de espetáculo, é um lugar de cura.

FOTO: AMALRI NASCIMENTO
FOTO AMALRI NASCIMENTO

domingo, 16 de novembro de 2025

VAL MELLO

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA - 2025


O rio que falta e o Rio que sobra


um rio passou em minha poesia
escorria magro, sertanejo,
riacho tímido, quase suspiro,
mas ainda assim lavava a alma e pés rachados
corria humilde, sem precisar de elogios.

um Rio também quis entrar no poema,
todo cheio de si, com desejo bronzeado
cheirando a esgoto debaixo do calçadão,
vendendo sol e bala perdida no mesmo pacote.
lá, a praia é vitrine, o morro é ferida,
o turista brinda e o favelado sangra.

meu rio pede chuva e silêncio,
o Rio pede holofote e aplauso.
meu rio pede nuvem e justiça do céu
o Rio pede marketing e selfie no pôr do sol.
um se orgulha de correr para o mar,
o outro insiste em engarrafar até a brisa.

no sertão, o rio morre de sede;
na metrópole, o Rio morre de excesso.
e eu, poeta, rio dos dois:
do riacho que não desiste,
e do Rio maravilha,
lindo no postal,
mas que não lava o próprio sangue da calçada.

Val Mello


Multiartista piauiense, poeta, ilustradora com textos publicados em dezenas de coletâneas  no Brasil e no Exterior, é administradora de empresas, MBA em Gestão de qualidade, pós graduada em Moda-arte , especializada em croquis femininos. Recebeu o Prêmio Manuel Bandeira de Poesia pela União Brasileira de Escritores em 2022,  em 2024  Prêmio Ecos da Literatura - categoria melhor Ilustração de Livro Infantil, .  É quadrinista da série Hestrânhuz. Autora de 4 livros, sendo um em coautoria. Seu mais recente livro  intitulado  À sombra dos Carcarás, a obra de coragem e pertencimento, uma travessia entre o Nordeste ancestral , o Brasil e as muitas paisagens que a habita.  Integra o grupo Poesia Simplesmente é   diretora da APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro)


PRISCILA TRINDADE

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025


 


SÉRGIO GERÔNIMO


VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025

LA BELLE DE JOUR





SÉRGIO GERÔNIMO Alves Delgado
Carioca, poeta, cronista e ensaísta. Militar reformado, foi professor do magistério no Colégio
Militar/RJ. Psicólogo clínico. Editor-chefe da OFICINA Editores. Publicou em poesia 14 livros. No
prelo: Das 10 às 15:30 (UrbanosEmCausa II). Cofundador e Presidente de Honra da APPERJ.
Sócio do PEN Clube do Brasil. Tem poemas publicados e vertidos em inglês, espanhol, francês,
italiano, russo. Participante ativo do circuito de poesia contemporânea.

SUSIANE BORGES

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ - 2025

MARÉS? DIZ VERSOS!


É imprescindível ir ao fundo das “marés” que a vida nos traz
Ficar apenas no raso não nos garante conhecer nem o mar e nem o sol
A cada mergulho em léguas maiores, o azul se intensifica e o sol vai virando
noite
Quem pode navegar-te quando te transformas em profundidades oceânicas?
Quem pode tirar de ti o alimento entranhado nas marés baixas ou altas do seu
mover-se?
A força gravitacional da lua que escolhes, indica a potência dos versos que de
ti sairão
Entre as estrelas e a terra, a oposição de teu posicionamento contrariará o
óbvio dos pescadores, mas ecoará com o mistério dos peixes:
Aqueles estão presentes para usufruir, e estes estão presentes para se integrar
E as marés escondem ou revelam o que foi perdido no caminhar?
Escondem ou revelam o que é achado no tropeçar?
É mergulho ou é espera?
Ticta-Nic / Ticta-Nic: bate o relógio das cidades submersas...
Lá também há “depressões” e monstros delirantes.
As “Marianas” conhecem bem o poder dessas “fossas”. Pergunte a elas! Essa
“Marianas guardam segredos abismais.
É de lua ou é de sol?
É de correntes ou é de chuvas?
Há algo comum que nos conecta e desconecta ritmicamente...
Como uma onda...
Como um verso ainda não escrito...

Susiane Borges


TIAGO MIÇANGA

 VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025


ESPIRAL


Perder o afeto, criar o gelo e esquecer,
Casar com a Noite e amante de Flora.


Naquela velha casa em ruínas moram fantasmas,
Eles nos divertem e nos aconselham.
É assim que sempre nos conhecemos,
E é assim que nós sempre morremos.

Graças a eles eu renasci ao seu lado,
Foi uma mistura de luz e trevas,
Criando o fluido cinza.

Com anjos perdidos e demônios arrependidos
Lamentando a perda dos filhos de sua prole.
Enquanto isso, fadas cantam e dançam ao redor de nós,
Elas falam que são nossas mães
E a velha casa será minha morada,
Junto aos meus novos irmãos,
Que giram, brincam e escorrem como gotas de fuligem
Misturado a vodca e benzina.

Todos gozam da sua nova forma,
Eles se apresentam aqui neste palco,
Sem ter que renascer, sem precisar representar ninguém.




Tiago Miçanga é carioca, nascido na Ilha do Governador e criado no bairro Senador Vasconcelos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Filho de uma professora de literatura e de um técnico em Raio-X, Tiago formou-se em psicologia e exerce a prática clínica desde 2017. Além disso, atua como poeta e multi-instrumentista. Com seus poemas e projetos musicais, Tiago já se apresentou em diversos palcos, principalmente no Rio de Janeiro



SUZANA JORGE

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025

VÊ SE VERSA
(Suzana Jorge, para Tanussi Cardoso)


Vê se versa
O verso de Lorca nos loucos
O verso de sangue nas cartas
O verso das costas do verso
O verso de frente pro nada
O verso do olho no olho
O verso dos pés pelas mãos
O verso da fossa e do fosse
O verso da pluma e do cão
Vê se borda
O olho na lama da asa
O vulto no torto do olho
O transe no samba do pé
O suco no pé de caroço
O olho na voz de pescoço
O molho na língua ferida
O salto na data esquecida
O sono no chá de café
Vê se aplaude
O verso de Eugénio
Que a morna cantou
O verso de Neto
Que Angola penou
O verso de Vasco
Que Guiné exaltou
O verso Gusmão
Que o Timor libertou
O verso atilado
Que Francisco cunhou nos mares
Pessoa pintou nas almas
José Craveirinha no ar
Vê se versa
O verso de Frida
Que ninguém abortou
O verso de Pablo
Que o carteiro selou
O verso de Allende
Que o trauma exilou
O verso Mistral
Que a tristeza beijou
O verso afiado
Que Gullar guardou no açucar
Bandeira queimou nos brônquios
Tanussi cravou no olhar




Suzana Jorge. Poeta, professora, revisora e consultora textual. Autora de Textura
Carioca (2017), Perfume de Asfalto (2021) e silhueta fluida (2024). Coautora em
diversas antologias. Integrante da APPERJ, do CEDILHA e da ASOL. Em processo
de edição do quarto livro solo, ventou clarice: metalinguagem e mistérios reveladores
do irrotulável.

ROSE LIMA

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ

 PALAVRAS DE SEGUNDA

A palavra amanhecida na dobra do tempo, salta para o novo e, silenciosamente, abre as janelas de uma vez.

Ao adoçar o café, a mulher lembra a recomendação: menos açúcar faz bem ao coração.

Ao folhear as páginas de um livro, fala em voz alta: liberdade não é coisa que na esquina se compra. Liberdade tem nome e Coragem é seu sobrenome.

Sem pronunciar palavras desequilibradas, lê sua escritora preferida.
"Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou".

O coração pensa, bate e sente.
"O mais profundo pensamento é um coração batendo".

Há palavras que são como soco no estômago. Tomam o corpo todo e completam tudo.
A ansiedade faz as chuvas mais tempestivas e as ventanias maiores.

As palavras de Clarice na curva do vento são certeiras.
A mulher tenta corrigir os próprios erros na ânsia de acertar.
E o maior dos acertos é ter coragem de se enfrentar.


Rose Lima



ROSE LIMA é natural de Água Doce do Maranhão. Formada em Serviço Social pela UFRJ e pós-graduada em Gerontologia pela UVA. Professora, escritora, poeta, ativista sociocultural, antologista e produtora literária. Participa de diversas antologias, revistas e saraus. Coordena os projetos literários ME TIREI PRA DANÇAR e PÉDEPOESIA. Incentiva alunos e professores a mostrarem seus textos nas edições da Revista Virtual PÉDEPOESIA. Livro solo: aMAR, lançado na FLIP 2025.
Instagram: @rose_poesias

RICARDO MUNIZ RUIZ

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025

LAPA


Noite de sexta-feira
A Lapa fervilha
O Rio é rua !

Rondamos suas ruelas
Ruminamos pelas passarelas.
Em cada canto muvuca
Cada recanto um boteco
Cada encruzilhada uma vela.

O Rio é rua !
Papo de bar rende.
Mão na renda, ronda.
Um olhar enrola
Uma boca sorri
Uma rumba rola.

O Rio é rua !
Curtimos suas ruínas
Nós somos suas ruínas
Estamos à sua deriva
Derivados e depravados.
Com todo respeito, é claro !
Arranjamos um gole
Arrancamos um trago
Desferimos um teco
Descolamos um amasso... momentâneo,
Passageiro como a vida !

Afinal, não é essa nossa sina ?
Aqui em se plantando tudo dá:
Samba, suor e cerveja
Pagode, chorinho e batucada
Rap, hip-hop e reggae
Salsa, rock and roll e forró
Capoeira, a volta do Circo e o bondinho pra Santa Teresa.

Os Arcos testemunham mais uma história:
A fusão do passado e o presente,
Último refúgio da derradeira alma brasileira:
O travesti, a estudante e a prostituta
O doutor, o professor e o traficante
O otário, o malandro e o profeta
O michê, a virgem e o viciado
O músico, o garçon e a bahiana,
Salsichão, cachorro-quente e acarajé.
O Rio é rua! Choveu, fudeu !




Ricardo Muniz de Ruiz é poeta, historiador e poeta. Publicou Poesia Profana, Ibis Libris, 2000; Antologia Ponte de Versos - 4 Anos - Ibis Libris, 2004; e República dos Poetas (Museu da República: Antologia - Org.) - 2005. Coordenou os eventos: Ponte de Versos, com Thereza Motta (2000-2006), O PoemaShow com Tavinho Paes (2003-2007) e República dos Poetas (solo: 2004-2007). Escreveu a coluna O Canto da Poesia no Jornal Rio Letras. - 2004. Professor Titular de Sociologia do Colégio Pedro II (IF). Doutor em História Social - UFRJ, Mestre em História Social pela UFF.

RENATA QUIROGA

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025


CONTRAFLUXO DA RETINA

O ser da poesia carioca
fala onde não se está
aquilo que não se vê.
Versa na contramão, sua voz é sua foz.
Porque do olho não importa a visão,
o que se quer da retina é a distração.

Como quem desvia o olhar da Lisa de Leo,
de Moisés de Ângelo
percebe que os pares só se dão em forma de rosto,
quando se apresentam em nome composto.
Em contraste, as duplas mais espanto causariam
se o próprio pincel fosse a tela para Miguel
ou se a moldura escondesse para Da Vinci
um palíndromo na fissura da escritura.

A poesia resistente escreve o avesso:
interrompe o raio, dispoeta o estrondo a tempo de impedir
que a tempestade alague os escombros.
Contra Rio de intermitente curso,
contradiz as mazelas correntes na nascente de sua gente,
de leito, canal e perene carnaval.


O tempo da poesia carioca é um signo poético
arquétipo de uma rima de Bosi.
Faz modelo para o que da arte se ocupa:
extrair o sagrado do cálice.
Pois até o vinho tinto
que da boa mesa se presta a servir,


há quem o cuspa antes mesmo de engolir.


Renata Quiroga é psicóloga, psicanalista, escritora e poeta.
Mestre e Doutoranda em Psicanálise, Saúde e Sociedade – UVA.
Autora do Livro “Extravazo”. Ventura Editora, Rio de Janeiro, 2024
Autora do romance: "O Escutador da Quaresma". Infinita Portugal, Lisboa, 2023
Coautora e organizadora do livro "Psicanálise de Brasileiro" – Vol. 2. Clube de Autores,
Rio de Janeiro, 2021

LÍLIAN MAIAL

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ- 2025

ESTOU DE PÉ

Eu posso ser excluída dos registros,
ser apagada dos livros e da memória dos que nunca me conheceram.
Posso ser empurrada para abismos e penhascos,
ser afogada nos lamaçais da mentira e da traição,
ser incinerada, como um arquivo desnecessário,
que,
como a onda mais revolta,
me erguerei das profundezas e mostrarei minha força.
Sei que muitos ficam perturbados comigo,
preferem a distância,
mas não me dão paz,
que meus tesouros secretos
atraem e repelem na mesma intensidade.
E, como as palmeiras nas tempestades,
as velas dos barcos depois das tormentas,
a flor que insiste em brotar no jardim de cimento,
eu me erguerei em silêncio.

Eu estou de pé.
Posso até estar cabisbaixa e triste,
aglutinar poças de lágrimas,
sofrer noites de insônia e solidão,
mas, como um braço certeiro em meio à multidão,
como a roupa no varal durante a ventania,
como o amor supostamente adormecido,
eu me erguerei sem titubear.
E estarei de pé.
Eu estou de pé.
Tenho medo? Alguma fraqueza? Coleciono feridas?
Decerto que sim.
Tenho uma alma peregrina e intensa,
e um coração que abriga as minhas riquezas,
essas que tanto provocam a cobiça e o assombro.
Podem me esfolar em versos, me dilacerar com a indiferença,
podem me aniquilar com ódio, tentar me calar a voz,
que, mesmo com todos os lances contrários,
meu sangue ferve, meu sexo pulsa, minhas pernas são firmes,
e eu estou de pé.

Eu estou de pé.
Com o ventre em chamas, a boca sedenta,
os pés descalços, bailando na fogueira e gargalhando.
Porque já percorri todas as trilhas, escalei todas as montanhas,
montei em todos os arco-íris e cavalguei em pelo,
contato íntimo, dona das minhas vontades.
De todos os julgamentos,
todas as ofensas proferidas por bocas incomodadas com minha liberdade,
todos os limites e punições impostos pela sociedade dominante,
eu estou de pé.
Das dores das mulheres que vieram antes de mim,
das lutas travadas contra moinhos que moíam suas vidas,
eu me ergo.
Sou a que perpetuará a existência,
a rocha que estará lá, apesar das ondas e dos anos,
segura e firme em suas crenças,
apoio para as que virão,
sem carregar o pânico e a desventura.
Eu estou de pé, como quem enxerga o fim da treva.
Eu estou de pé, como quem resiste aos açoites das águas.
Estou de pé, como quem soletra a palavra fincada na pele.
Estou de pé, empunhando a sentença da mulher que vence,
da mulher que escolhe,
da mulher que dança, da mulher que canta,
da mulher que cai e se levanta e vai.
E, por tudo isso, eu estou de pé.
Por minha filha, eu estou de pé.
Por minha neta, eu estou de pé.
Por todas e tantas mais, eu estou de pé.
Eu estou de pé!
De pé!
 
Sempre de pé!





LÍLIAN MAIAL é carioca, médica, escritora e poeta. Publicou 15 livros, sendo 7 de poesia, 6 infantis, 1 de minicontos e 1 técnico de Perícia Médica. Ocupa a cadeira de nº12, da Academia Internacional Poetrix (AIP). Filiada à REBRA, à APPERJ e participa do coletivo feminista MULHERIO DAS LETRAS, tendo organizado o VIº Encontro Nacional, no Rio de Janeiro, em outubro de 2023. Ativista cultural, idealizadora e anfitriã do Vem pra Cá Sarau, e organizadora e revisora da Antologia Vem pra Cá - Conexões, lançada na Bienal do Livro RJ 2025. www.lilianmaial.com - facebook.com/lilian.maial @lilian.maial

REGINA HESKETH (GIGI)

VIII MOSTRA DE POESIA CONTEMPORÂNEA DA APPERJ 2025


MINHA AVÓ

Minha avó, grande guerreira,
corria na rua com sua filhinha no colo,
para fugir e se esconder das tropas de
Getúlio Vargas que invadia sua cidade.
Minha avó, grande guerreira,
corria na rua com sua filhinha no colo,
para ir direto ao hospital tratar da
praga do sarampo que invadia sua cidade.
Minha avó, triste guerreira,
andando na rua sem sua filhinha no colo,
não conseguiu evitar a morte causada pela
epidemia do sarampo que invadiu a cidade.

Regina Hesketh (GIGI)


 

REGINA HESKETH (GIGI)- APPERJIANA. Natural de Belém(PA), reside no RJ desde 1967. Psicóloga, especialização em Psicologia Clínica e Organizacional. Psicoterapeuta, Instrutora de Treinamento, Facilitadora Titular de Biodanza, Contadora de Histórias, Trabalhos publicados em Antologias. Autora do Livro “Algumas Lembranças Alguns Poemas”. Membro do Encontro de Poetas da Língua Portuguesa, tendo participado de eventos no Brasil, Portugal, Angola e Guiné Bissau.