VIII MOSTRA DE POESIA CONTEPORÂNEA DA APPERJ 2025
Noite de sexta-feira
A Lapa fervilha
O Rio é rua !
Rondamos suas ruelas
Ruminamos pelas passarelas.
Em cada canto muvuca
Cada recanto um boteco
Cada encruzilhada uma vela.
O Rio é rua !
Papo de bar rende.
Mão na renda, ronda.
Um olhar enrola
Uma boca sorri
Uma rumba rola.
O Rio é rua !
Curtimos suas ruínas
Nós somos suas ruínas
Estamos à sua deriva
Derivados e depravados.
Com todo respeito, é claro !
Arranjamos um gole
Arrancamos um trago
Desferimos um teco
Descolamos um amasso... momentâneo,
Passageiro como a vida !
Afinal, não é essa nossa sina ?
Aqui em se plantando tudo dá:
Samba, suor e cerveja
Pagode, chorinho e batucada
Rap, hip-hop e reggae
Salsa, rock and roll e forró
Capoeira, a volta do Circo e o bondinho pra Santa Teresa.
Os Arcos testemunham mais uma história:
A fusão do passado e o presente,
Último refúgio da derradeira alma brasileira:
O travesti, a estudante e a prostituta
O doutor, o professor e o traficante
O otário, o malandro e o profeta
O michê, a virgem e o viciado
O músico, o garçon e a bahiana,
Salsichão, cachorro-quente e acarajé.
O Rio é rua! Choveu, fudeu !

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